O que é o método psicanalítico?

Neste artigo, veremos um assunto complexo, mas muito relevante na atualidade, será abordado o tema método psicanalítico que nada mais é do que o método criado por Freud para realizar terapia, compreender a mente humana e interpretar o funcionamento da sociedade. Ótima leitura!

O método analítico, segundo Freud

A psicanálise é um método para tratamento de neuroses e transtornos psíquicos, que se propõe a resolver as causas do problema, trazendo à consciência aquilo que está encoberto no inconsciente.

Para Freud, mesmo com algumas mudanças teóricas ao longo de sua obra, dois pontos são mantidos por serem considerados importantes: a sexualidade infantil e o inconsciente.

O método psicanalítico de Freud consistia em estabelecer relações entre todos os pontos mostrados pelo paciente, e ficava atento a qualquer informação, por menor que pudesse parecer.  Pela associação livre, o paciente fala e coloca para fora tudo que está no seu consciente, e assim consegue acessar, mesmo que não saiba, conteúdos de seu inconsciente.

O tratamento para o paciente neurótico

O paciente neurótico apresenta um conflito psíquico entre consciente e inconsciente muito intenso e a associação livre vai permitindo que ao longo do tratamento o paciente vá superando as suas resistências e trazendo cada vez mais os conteúdos do inconsciente para a consciência.

Para entender melhor o método psicanalítico, Freud faz uma divisão no aparelho psíquico em 3 sistemas e estabeleceu a relação de cada um deles com a consciência.

O inconsciente, pré-consciente e consciência

O primeiro sistema, é justamente o inconsciente, onde ficam guardados os impulsos e sentimentos dos quais o paciente não tem consciência. O segundo sistema é o pré-consciente e nele estão todas as impressões que o paciente guarda do mundo externo, suas experiências passadas, pensamentos, ideias, etc. que normalmente são acessados pelas expressões verbais.

O terceiro sistema é a consciência, que detém todas as informações das quais o paciente está consciente em determinado momento. A análise tem como objetivo, fazer com que o paciente consiga tornar consciente as informações guardadas em seu inconsciente.

Os chistes

Dentre algumas formas de acesso ao inconsciente podemos citar os chistes e os atos falhos, os quais falarei brevemente a seguir. Os chistes, objeto de poucos estudos, tem para Freud uma certa importância, pois através do humor, da piada, é possível ter acesso a conteúdos do inconsciente.

Neste sentido, Freud faz observações acerca das piadas inocentes e das piadas tendenciosas.  No caso das piadas
tendenciosas, além de conter algo que dito de forma séria poderia causar impacto, ainda traz elementos que podem levar ao inconsciente, visto que sempre têm uma tendência ou objetivo definido.

E seus objetivos são o de satisfazer o desejo inconsciente e tudo aquilo que não poderíamos expressar de forma consciente.  Um exemplo disso são os assuntos sexuais, sempre tratados de forma mais recatada na sociedade.

Por isso, as piadas de cunho sexual são as que mais provocam o riso. Assim, percebe-se que o humor pode ser uma forma de lidar com recalque, pois permite que o recalcado tenha liberdade de expressar aquilo que está reprimido, sem que isso lhe cause algum dissabor.

O ato falho – segundo Freud

O ato falho é um equívoco na fala, na memória, em uma atuação física, provocada hipoteticamente pelo inconsciente, isto é, através do ato falho o desejo do inconsciente é realizado.

Para Freud, os atos falhos são formações de compromisso entre o inconsciente e o consciente uma vez que exprime desejos reprimidos, mesmo que a pessoa diga que foi sem querer.

Quando fazemos algo “sem querer”, na verdade estamos expressando de forma inconsciente, algo que está reprimido.
Existem 3 tipos de atos falhos que são: atos falhos na linguagem, atos falhos de esquecimento e atos falhos no comportamento.

Os atos falhos na linguagem são aqueles que ocorrem, por exemplo quando uma pessoa troca uma palavra por outra, ao invés de falar nexo, acaba dizendo sexo.

E também acontece quando trocamos o nome de um amigo que está conosco por outro que não está presente, o que neste caso poderia significar o desejo de estar com o amigo ausente, ou uma lembrança de algum acontecimento envolvendo a tal pessoa.

O ato falho de esquecimento e comportamento

O ato falho de esquecimento ocorre quando esquecemos de fazer algo, por exemplo, de ligar para alguém.  Este ato pode estar relacionado ao desejo inconsciente de não querer falar com a pessoa a quem deveria ligar e por isso, esqueceu.

E por último o ato falho de comportamento, que é quando temos um comportamento que nos remete a um desejo inconsciente.  Freud descreve seu próprio exemplo quando relata que ao chegar na casa de um paciente para atende-lo, antes de tocar a campainha, tira do bolso as chaves de sua casa.

Ato que associou ao que seria equivalente ao pensamento de se sentir em casa, pois só ocorria em lugares onde ele havia se afeiçoado ao paciente.

Desta forma podemos concluir, que apesar das diferenças entre os tipos de atos falhos, ambos são ocasionados pela formação do compromisso entre dois significantes, um do lado do desejo e o outro do lado da repressão.

O método psicanalítico na psicanálise

Por este motivo, o método psicanalítico na psicanálise tem um papel muito importante na resolução de questões psíquicas. A observação atenta ao paciente, permitindo que ele se expresse livremente, é capaz de trazer ensejos de tudo que há imerso em seu inconsciente e que pode ser a chave para a resolução da neurose apresentada.

Os psicanalistas apesar de partirem de um ponto onde o paciente relata um mal real, como por exemplo um sentimento ou tique nervoso, precisam ter acesso a tudo que não é palpável e extremamente complexo para tentar entender de onde vem as queixas reais.

E isso sem esquecer que lidam com o lado emocional e que muitas vezes essas emoções estão em um ambiente completamente desconhecido que é o inconsciente.

Por este motivo e tantos outros, eu desejo, que apesar de não ser uma área considerada como parte efetiva da medicina, as pessoas passem a dar mais valor à psicanálise e que reconheçam cada vez mais o seu valor no que tange ao tratamento das doenças emocionais  e a sua efetiva contribuição na resolução dos problemas dos pacientes que a procuram.

O texto O que é o método psicanalítico? Foi criado e elaborado por Claudete Stein.  Aproveite e veja também os demais textos com temas relacionados e interessantes.

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