Doenças Psicossomáticas e a sombra das emoções

As doenças psicossomáticas são todas as enfermidades que possuem um componente psíquico e variam de pessoas a pessoas, são aquelas relacionadas às emoções, sentimentos e pensamentos.  A palavra “psicossomática” é formada pela junção de duas palavras gregas: psique (que significa alma) e soma (corpo). Veja no artigo a seguir mais explicações sobre esse assunto.

A busca pela psicoterapia, muitas vezes, ocorre depois de esgotadas as possibilidades patológicas e, por muitas vezes, o cliente chega com o discurso pronto de que o médico já tentou de tudo e agora só resta a terapia para conseguir resolver a doença.

Aí vem o primeiro trabalho do psicoterapeuta, explicar que não deve ser buscado através da terapia a cura da doença e sim as causas, pois a doença é a consequência de algo que está sendo em muitas vezes reprimido, escondido ou preso dentro de nós.

Explicação sobre as doenças Psicossomáticas

O trabalho terapêutico deve tirar da sombra as emoções que por algum motivo não conseguiram ser expressas ao longo da trajetória de vida do cliente.

Seriam então as doenças psicossomáticas a forma do corpo físico expressar as emoções reprimidas, escondidas por nós mesmo, ou seja, o sintoma seria a reposta ao conflito entre expressar minhas emoções e manter o padrão social/cultural ou esperado pelo outro como socialmente correto.

O segundo desafio do terapeuta é que a maioria dos clientes não acreditam que existem correlações entre o que estão sentindo fisicamente e suas questões emocionais.

Assim, é preciso ensinar ao paciente que ele precisa aprender com os sintomas, entendendo o que ele quer dizer, o que o corpo está querendo te comunicar.

Os sintomas

Em sua maioria os sintomas vêm como estratégia de demonstrar o que está escondido, e aí é preciso identificar qual emoção está por traz da doença. Lembrando ainda, que algumas pessoas não conseguem perceber as emoções.

Esses desafios afirmam a vertente de que primeiro precisamos tratar o sujeito e que esse faz parte do todo, então não adianta ser rígido nos papéis que temos que desenvolver no nosso dia a dia, porque essa rigidez uma hora se quebra e o corpo físico começa a expelir os pedaços.

Ante o dito até agora, é possível afirmar que a doença não mente e que os sintomas e as emoções são totalmente incorruptíveis.

Psicoterapeuta e seu papel diante das doenças psicossomáticas

O papel do psicoterapeuta será então criar a conexão entre os sintomas, as emoções e as situações que o ocasionaram, sejam essas traumáticas, conflitantes e/ou recalcadas.
Partamos então para entender quais as doenças psicossomáticas são mais expressas no nosso corpo físico, quando se trata dessa desconexão entre as emoções que não conseguiram ser manifestadas e o nossos corpo.

Dentre as inúmeras doenças psicossomáticas que o mundo moderno vem apresentando, vou me ater a explanar sobre o transtorno de somatização.

Transtorno de somatização

Os sintomas do transtorno de somatização podem estar referidos a qualquer parte ou sistema do corpo. O curso da doença é crônico e flutuante, e se associa a uma alteração do comportamento social, interpessoal e familiar. Estudos com neuro imagem demonstram maior vulnerabilidade a dor e mal estar em pacientes que fazem somatização.
Esse transtorno é em suma a multiplicidade de sintomas que não podem ser explicados por exames físicos nem auxiliares da medicina convencional.

A pessoa portadora dessas doenças psicossomáticas busca incessantemente consultas com as mais diversas especialidades médicas na tentativa de concretizar a suspeita da patologia que acredita está enferma e que não consegue ser detectada pelas vias normais de exames.

O diagnóstico

A busca pelo diagnóstico efetivo leva paciente a realizar exames, muitas vezes, desconfortáveis e dolorosos, o que piora a somatização.
Os sintomas podem ocorrer em qualquer parte ou sistema que compõe o corpo humano. Esse transtorno é crônico e flutuante, e frequentemente traz uma alteração do comportamento social, interpessoal e familiar, prejudicando a vida e as relações do portador.

Ainda é acometido a esse paciente uma maior vulnerabilidade a dor e mal-estar, o que possivelmente potencializa o momento de desesperado, fortalecendo os sintomas físicos expressos no corpo físico.

Transtorno de humor

Essa estratégia de potencialização é vista pelos médicos como uma forma do corpo acometer o paciente ao descanso.
Esse transtorno de somatização por muitas vezes não atua sozinho e geralmente se associa ao transtorno do humor e/ou ansiedade, inclusive podendo ser consequência de um desses.

É um transtorno que acomete em sua maioria pessoas do sexo feminino e precisa apresentar os sintomas físicos por mais de dois anos, bem como, é importante diferenciá-lo do transtorno de pânico ou do estresse pós-traumático.
É ainda imprescindível que durante a avaliação do cliente possa ser totalmente eliminado a simulação consciente, que é a simulação deliberada da dor ou sintoma físico.

Um último aspecto que deve ser observado nesse transtorno é da necessidade de conexão entre as especialidades médicas e o acompanhamento psicológico escolhido pelo paciente.

Conclusão

Cabendo em alguns casos a indução medicamentosa, para o controle e melhora da ansiedade e autoestima do paciente, sempre ressaltando que a utilização ou não de medicamentos é prioritariamente e exclusivamente uma demanda da área médica, não devendo o psicoterapeuta suspender ou induzir ao uso de qualquer substância ao cliente.

Por fim, é primordial identificar através da terapia os eventos, emoções e crenças que desencadeiam e mantém esse transtorno ativo, educando o cliente a lidar com a ansiedade e desgaste emocional.

O empoderamento do paciente para enfrentar a raiz do problema, deve fomentar pensamentos que tornam o sujeito apto a identificar suas emoções e a lidar com essas, melhorando a sua qualidade de vida.

 

Texto produzido por Maria Menezes Guimarães, especialmente para o Portal Só Psico. Não deixe de ver mais posts sobre os assuntos relacionados com a mente humana aqui no Portal.

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