Breve história da teoria de Jung

A teoria de Jung e a história do psicoterapeuta é tema do artigo deste post. Falaremos um pouco da história dele, a sua relação com Freud e a evolução dos estudos e teorias de Carl Gustav Jung.

A teoria de Jung – relação com Freud

O psiquiatra e psicoterapeuta Carl Gustav Jung nasceu em 1875 e faleceu em 1961 na Suíça. No ano de 1907 o então jovem Jung vem a conhecer Sigmund Freud. Existia um grupo coordenado por Freud que na época era conhecido como Sociedade Psicológica das Quartas-Feiras e que foi a primeira associação psicanalítica do mundo.

Este seleto grupo tinha como membros, até o momento da adesão de Jung, somente judeus. O pai da psicanálise, preocupado com a imagem de suas teorias, a probabilidade de serem consideradas como religiosas ou não científicas, vê em Jung, um talentoso não judeu de origem protestante, a possibilidade de retirar a ideia de segregação que poderia cair sobre o grupo e aumentar a chance de suas teorias serem aceitas pela ciência geral da época.

Por em período de tempo Jung era como um filho para Freud, se tornou um tipo de herdeiro que levaria a psicanálise adiante.

O tempo de relacionamento entre Jung e Freud não foi tão longo. No ano de 1914 Jung rompe suas relações com Freud e sua teoria. Dentre os motivos para o rompimento o mais preponderante foi o psiquiatra suíço redefinir o termo libido até então utilizado pelo pai da psicanálise para designar energia sexual, transformando-a em uma espécie de energia vital ao ser humano.

Para Jung a libido seria a constante energia em movimento no incessante dinamismo da psique de todos as pessoas.

Desenvolvimento da teoria de Jung

Com o rompimento com a corrente freudiana, o Jung é o responsável pelo desenvolvimento de sua própria teoria que ficaria conhecida como a psicologia analítica.

Diferente de Freud que conceitua o inconsciente, Jung divide este último em dois: o inconsciente individual ou pessoal e o inconsciente coletivo, considerando como a parte mais importante o último.

Teoria de Jung – inconsciente individual e inconsciente coletivo

Enquanto que o inconsciente pessoal, o único que existia para Freud, seria composto pelas experiências individuais de cada sujeito, o inconsciente coletivo seria composto por informações herdadas dos nossos ancestrais, formado pelo passado coletivo de toda a humanidade, e poderia ser considerado a parte mais profunda da psique humana presente em todos da mesma maneira.

No inconsciente coletivo está presente os conceitos universais, conteúdos psíquicos, que foram formados além da experiência de vida individual, a partir das experiências que nossos antepassados tiveram com determinadas ideias, como a maternidade, água e religiões.

Todos possuem no inconsciente coletivo predisposições biológicas para padrões herdados de comportamento, esses padrões inatos desenvolvidos por milénios a partir de experiências repetidas de nossos ancestrais são o que Jung chama de arquétipos.

Arquétipos na Teoria de Jung

Para que uma predisposição inata, arquétipo, se desenvolva são necessárias condições propicias ambientais, ou seja, o desenvolvimento de um determinado arquétipo é dependente de que ocorra determinada experiência, por exemplo, para que o arquétipo da maternidade se expresse em uma mulher é preciso que essa antes possua um filho.

São incontáveis os arquétipos existentes e apesar se serem provenientes do inconsciente coletivo e em sua maior parte iguais para todos, possuem para cada sujeito elementos individuais relacionados com sua própria consciência e inconsciente individual.

Alguns exemplos de personagens complexos e individualizados que habitam na psique humana, arquétipos, são: anima, animus, persona, sombra e self.

Arquétipo Anima e Animus na Teoria de Jung

Anima é o arquétipo formado por uma parcela de aspectos femininos que faz parte do inconsciente coletivo dos homens, é o lado feminino de todo homem.

Por causa do machismo e das barreiras sociais, o lado feminino encontra grande resistência para se expressar em muitos homens. Anima é o resultado de todas as experiências que os ancestrais masculinos tiveram com sujeitos do sexo feminino, além das experiências individuais, principalmente com a mãe, desenvolvendo assim uma imagem geral de mulher.

A anima determina o comportamento que o homem terá com as mulheres que encontrar durante seu curso de vida e normalmente é projetada nas que esse homem escolher se relacionar.

Já o animus é o lado masculino presente na mulher, assim como a anima tem sua origem na forma como as ancestrais tiveram experiências com sujeitos do gênero masculino. Geralmente as mulheres irão projetar seu animus no homem que escolhem como companheiro.
Jung, assim como Freud, considera que todos são psicologicamente bissexuais, por isso todos os sujeitos possuem seu lado feminino e seu lado masculino.

Persona

A persona é formada pelos aspectos da personalidade que cada um mostra publicamente, é a representação dos papeis sociais, personagens que são formados diferentes da pessoa que realmente se é. Exemplo do arquétipo persona são o gênero, uma pessoa que se considera mulher tem que se comportar de certa maneira socialmente para que seja reconhecida e reafirmada como pertencente ao gênero, e a profissão, um médico tem que agir como tal para que seja reconhecido.

O arquétipo da sombra

O arquétipo da sombra é o conjunto dos aspectos da personalidade de um sujeito que esse se recusa a reconhecer como seus, são as características que ele considera como inaceitáveis. Para Jung um sujeito que deseja ser completo precisa buscar continuamente conhecer sua própria sombra, reconhecendo seus pontos negativos e não sucumbindo a esse arquétipo.

Para Jung o ego é considerado o centro do sistema consciente e seria a estrutura da psique responsável pelo controle dos aspectos conscientes. O ego não se envolve com os conteúdos inconscientes.

O que lidaria com os processos tanto conscientes quanto inconscientes pessoais e coletivos, embora em sua maior parte inconscientes coletivos, para Jung seria o self, considerado como o centro da personalidade. O self é o mais abrangente de todos os arquétipos, simbolizando os ideais de perfeição de cada sujeito e representando a busca por equilíbrio e unidade de toda a psique.

Para Jung, os complexos são o meio pelo qual se pode chegar ao inconsciente, diferentemente de Freud que considerava serem os sonhos a via. Um complexo é um aglomerado de ideias e imagens inter-relacionadas com intensa carga emocional formado em torno de um ou mais arquétipos. Os complexos são os responsáveis pelos sonhos e por alguns dos comportamentos humanos, eles movimentam constantemente a psique.

Fontes utilizadas para produção do artigo:
Complexo, arquétipo e símbolo na psicologia de C.G. Jung / Jolande Jacobi; com prefácio de C.G. Jung e 5 ilustrações; tradução de Milton Camargo Mota. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2017. – (Coleção Reflexões Jungianas)

Texto produzido por Antonio Lobo Neto, exclusivamente para o site Só Psico.

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